terça-feira, fevereiro 28, 2017

Saída do Carnaval

Conta a lenda que ela começou sem máscara, convidada a brincar por aqui, 
por lá, por qualquer lugar, por qualquer coisa
Não era carnaval naqueles dias, nem havia cortejo, nem nada de mal
Mas a fantasia estava sim, naquelas mãos, insinuada em seu jeito fatal
Colocou-a sobre os olhos, com vistas ao perdão da palavra
Pintou seus lábios de vermelho, e deixou-se corar
Depois ouviu ao longe alguma velha marcha, já tocando seus pés, com seus antigos dedos
Então seguiu em frente, coração sem pressa
Tamborilando a cantiga do medo, a por tudo em marcha à ré

sábado, setembro 03, 2016

Adolescere








A menina ainda não desistiu, mas está cabisbaixa
Seu mundo caiu na mesmice da rua calçada
O brinquedo quebrou e perdeu sua mola
O palhaço saltou para sempre
A menina agarrou o presente e chorou
Sua fada ajudou, nos remendos da lágrima
Já refeita buscou sua caixa de outrora
Outra vez viu Pandora na tampa, a se rir
Quis correr, duvidou, apressou conclusão
Mas restou-se a olhar, como outra
Nessa espécie de espelho, que sofre 

sexta-feira, janeiro 23, 2015

Efeitos na flor


 Margarida flor
 toda pétala e silêncio
 Não seria o vento um tradutor?
 Bem me quer, carícia
 os pedidos à mão
 Não tenho este tempo verão, primavera 
 começo de amor



Aqui, pelo canto do olhar
somos cor ao sereno
Luz em retrato de meia estação









sexta-feira, novembro 21, 2014

Florista






Esconde-se em  flor
Não perde um perfume sequer
Atravessa o instante na cisma do olhar
Separados, o verde e o restante
Essa prosa do verso que vira buquê
Mas, pra quê?...
Só pra ter,  palavra.


sexta-feira, outubro 03, 2014

Ritmo





Apostei que era música
Seus dedos sorriam com som
Murmuravam segredos escritos na linhas das mãos  
E o meu coração batucando saudade
Pedidos, da nossa canção

sábado, agosto 30, 2014

Arrepios








Quando a vontade tem lugar no passeio da sua vida, 

ficam meus passos rendidos ,
seus pelos erguidos,
e nossa noite,
nosso dia,
a espera dessas tradições...







segunda-feira, junho 30, 2014

de olhares


Olhei cada uma como deveria
Nem é preciso dizer, mas diria
O sol determinou que o dia fosse como o prelúdio da vida
Saí pela rua conquistando a certeza da poesia, ela viria...
Sim, como a pedir-me um pouco mais
.
.
.




Não sou mais como aquela sereia
Não tenho mais a pele que irradia o sol
Não sei mais o calor, daquela lida, ao meio-dia    
Tenho ataques senis, sem saber
Busco amar cada estrela, cada pedaço do céu
Tenho abraço nas mãos e anseios de adeus, sem exceção
Mas se bordo um olhar no aconchego da noite, em minha direção
Durmo sem medo, sem culpa, sem ninguém...





sábado, junho 21, 2014

Tique - é tarde.

Por que não tenho tempo?




Por que não o encontro, o canto,


sem fastio, sem pressa?


Quando não tinha os ponteiros


não tinha setas nem certezas.





Agora tenho lanças que apontam um inimigo, 


sem culpa,


que me bate,


surdo,


alheio ao meu olhar.

domingo, junho 01, 2014

Desquerer





 
  Não exigia
  mas queria colo
  Um carinho inventado nas horas de medo
  Acordava cedo
  Antes que achasse razão
  para amanhecer sozinha
  Desistindo um pouco de tudo
  não queria nada
  Sem querer, foi melhor

sábado, maio 24, 2014

Confidencial




  Vamos fazer um pacto?
  Nada
  nenhuma circunstância
  ninguém
  nenhuma condição
  pode atrapalhar isso
  Não existe dano
  não existe dolo
  Porque não existe bolo
  nem festa
  que nos separe


terça-feira, abril 29, 2014

Tingido





Caminho pelo azul com saudades de mim
Atendi ao chamado da areia e ventei, como um riso largo
Lancei meus anzóis no anil, do que perdi, de tanto guardar
Não sei o que vou encontrar, mas já revi uma praia inteira,
um álbum esquecido na gaveta, e a pressa,
de tudo que nunca voltou...


quarta-feira, março 26, 2014

Com sequência








Vesti-me de rosa



Prosa, quase cor
Quase amor, de rosa
Sedução em flor
Quase desvestida, a rosa
Perdição de amor
Sem a cor, de rosa, sem amor, de prosa




                                               Quase me vesti...

                                           







sábado, março 01, 2014

Impermanência







O que pode ser remédio, quando a alma é que recebe o trato?
Um alívio no cansado coração do dia
Quando o nada que existia
segue sem perder o instante
Porque o tempo ainda leva corda, e só desperta ao entardecer
Ainda resta o que saber
Depois




quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Angústia

 
Caminhar na espera
Em todo anseio que encerra
Olhar cada canto sem nada a guardar
Aguardar o alívio
O sorriso não cabe
A lágrima não sabe
O chão se abre onde o corpo não cai
Tudo é difícil por todo lugar

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Disponibilidade








Espero com sorriso o namorado na entrada
Aquele da flor costumeira
Ele não sabe, mas carrego sua voz na altura do peito
Seu jeito bonito no espelho, onde lavo as mãos
E por dentro, guardo lembranças
O pedido, a bala de caramelo, o papel da lua em pedra-sabão
Toda coisa encantada que não se desmanchou


( foto: John Wayne & Maureen O'Hara)

Textura








Linda!
Como não cabia mais.
Triste....
como não sabia mais.
Arte,
como não seria?...
Se a vida inteira mergulhada em dia,
ancorava em noite,
leve,
pele sustentada em coração.
                




sábado, dezembro 21, 2013

Noivando

     

A noite era de máscaras
O pequeno dote escondia amor em pincéis

                                  





Suas mãos não se continham
           Queria o pedido
     O olhar, o sorriso, o resto...
            Só depois...

sábado, dezembro 14, 2013

Proximidade








Ela nunca o ignora
Fica ali na janela, no retrato, no em torno, em coisa que o valha
Seu olhar é tão forte que o recolhe, para que não vá embora
Seu sonho é tão vivo que fica ao seu lado, espiando, fazendo barulho, diurno, e sem hora
Aliás, seu sonho é pequeno, não pode tomar sereno, e nem pode demorar-se
Vem cedo, vai cedo, e às vezes,
vem tarde demais...

domingo, setembro 22, 2013

 
 
 
 
"Quando eu não falar, tente saber mesmo assim. Vou até o fim, calada, entre a cruz e a espada, entre o que eu não disser e essa outra voz de mim, que não me larga"
                                             Rosângela Monnerat

domingo, setembro 01, 2013

Amarelinha de outra cor

Desenho com arte
mas não pude ser
Criei o cenário, coloquei sofá
Fechei as cortinas, abri o diário, e calei
Não soube o que havia a falar
Eram meninas, as palavras
Pulavam de lá para cá
Faziam maré
Onde era céu, se aninhavam
Onde não era, não queriam mais