quarta-feira, maio 25, 2011

Desenho Animado


Houve um tempo em que brinquei com cenas de amor.
Não brinquei sem graça, e nem sem parceiro.
Brinquei por horas a fio. Teci as cenas que pude colorir de sol.
O tempo não era apressado, mas tinha vontades muito pontuais.
Era um tempo encantado demais. De mais.
Enquanto passava, o tempo me deixava seus sinais.
Guardei um por um.
Quando cheguei ao presente, o tempo passado não se fora, nem ficara tão longe.
Podia revê-lo nos murais.
Podia senti-lo na pele, nas muitas estações.
O amor acenava, sorria, corria de mim, se aproximava. Brincava nos cantos do quarto, guardado em sensações e colo.
Depois não me lembro. O tempo e o amor se calaram.
Achei o brinquedo no meio dos muitos guardados e chorei.
Encontrei-me palavra de amor sustentada nas mãos.  

segunda-feira, maio 23, 2011

sexta-feira, maio 20, 2011

Esquecendo a tradução


This is the one.

Probably she is upset.

Perhaps she's losing her head,

and she isn't sure, of nothing at all.

Her face is so sad that it's easy to see

that she isn't there, by his side.

As I don't have anything more to say,

I'll pray for another day,

when the girl should stay much better than today.




"Loneliness"
by Rosângela Monnerat


















quarta-feira, maio 18, 2011

(...) O homem pode se ajuntar com as coisas,
se encostar nelas, crescer,
mudar de forma, e de jeito...
O homem tem partes mágicas...
são as mãos...
eu sei...

                                    (Guimarães Rosa)




mesmo que não fosse dito, saberiam as mãos, que sentimentos foram tocados...   

domingo, maio 15, 2011

Vernissage

Agora sim,
são olhares e faces,
e fantasias.
São corredores e sombras, onde há clarezas de fato.
Estes dons femininos guardados em série.
Aquele jeito que ela faz...
O rosto tombado, o cabelo de lado,
aquele sorriso que não deu.
O que o artista não sabia, ela contou.


Nem precisava que ele existisse, apenas o traço, e a tinta.
A tela que ele pintou.
O retrato esperava por ela, uma qualquer.
O tempo deixava uma obra de arte, um encarte nas horas, o cabelo nas mãos.
Cada olhar, guardou as impressões.

quinta-feira, maio 12, 2011

Solar




Acho que deixamos o braço soltar-se sobre a prancha e descemos ao mar. Sobretudo encontramos ondas. E depois, vamos ao fundo, sem perder altura.
A poesia é loucura em alto-mar.