sábado, fevereiro 25, 2012

Flerte

Só ela exagerou
Ele não
Ela tocando seus medos com a faca do queijo nas mãos
Seu semblante fechado, sem querer
Que bobagem que todos os dias se vejam na fila do trem
Num desejo contrário 
Que ela folga em saber
Que assim, não se vê na pior
E insiste no olhar
A dizer eu te amo
Sem fim
Sem parar

domingo, fevereiro 19, 2012

Encolhimento

 


Ela, comprimida, deixava seus versos em sinais
Era demais sorrir nas goteiras
Fechou-se em represa no olhar
Era melhor assim
Deixar a tristeza marfim
Colorida de mar  

sábado, fevereiro 11, 2012

Enquanto mergulhava, o salto se bordava em seu olhar
Tão rápido como fora o vento, aquele dono da vez
Não perdia o instante, no medo constante da dor
A sorte, o destino nada corriqueiro, sempre audaz
Rogo, vinha a vida do seu ventre, sulco farto, seu passado
Gota, vinha o mar, sedento por seu vôo, em explosão
Tudo em arremesso, sem futuro
Vida, vento, água, medo, e o mergulho em seu olhar


                              "Salino"
                                

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Insinuada




Passo-lhe as mãos
Uma certa maneira de ser
O rasgo
Perfilado o poder
Esse dom de reter as delícias do olhar
Quem se resume ao prazer?
A isca do tempo é a falta de sol
O abraço, a carícia do vento
Teima o mais forte, o destino
Valha-me, Deus!

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Recolhido às marés

Não sei o que imaginei sem seu rosto
Era tão tarde...
Você estendido na pressa, conduzido à fadiga, destronado
Meu rei por suposto até o fim...
Você...
Meu sim de semblante farto, um apaixonado de linhas frequentes, olvidado
Sua fé me levando à loucura, marco de isenção
Seu amor saltimbanco, saindo sem lei, sem prazos
Não quero uma regra para ser feliz
Quero sim, seus afagos
Sua rede sem pescador
Porque pelo rastro da lua me sinto levada
Uma réstia de um tempo comum abraçado a dois

a ilustração - tela de Alexandru Darida "Falling in Love"

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Bibliotecomania





Livro-me

nessa mania

cem páginas