sábado, março 03, 2012
Questão
Por que mulheres erguem os braços assim
e se escrevem em marfim, pelos cantos do quarto?
Por que se mostram assim
destinos aos dedos
contornos aos lábios
afagos às mãos?
Mulheres não respondem logo
Olham sorrindo sem falar
Sustentam o fetiche das unhas carmim e se pronunciam, na nudez açucarada pela doce imprecisão
Depois, por amor adormecem, antes da própria vez
Por amor, talvez
Por amor...
quinta-feira, março 01, 2012
Cerração
O território se mostrava aos poucos,
sem ruídos
Uma estrada a molhar-se
como se fosse ao sereno, serena, sua lágrima
O sentido do escuro espiando seus medos, banidos de sol
Olhares perdidos, à penumbra, rastejam ainda, em busca de mãos
Boca macia sem tato, onde o céu é tocado, sem nuvens, sem prazo
É verão nos telhados, diria a coruja, no seu patamar de lua, espantosa
Tudo é cenário, fuga de um dia, fome de sol
A flor bebe em seus motivos, e nem sabe
A dor cede aos seus princípios, e nem arde
Mas é terreno, sim...
todo amor é daqui
sábado, fevereiro 25, 2012
Flerte
Só ela exagerou
Ele não
Ela tocando seus medos com a faca do queijo nas mãos
Seu semblante fechado, sem querer
Que bobagem que todos os dias se vejam na fila do trem
Num desejo contrário
Que ela folga em saber
Que assim, não se vê na pior
E insiste no olhar
A dizer eu te amo
Sem fim
Sem parar
domingo, fevereiro 19, 2012
Encolhimento
Ela, comprimida, deixava seus versos em sinais
Era demais sorrir nas goteiras
Fechou-se em represa no olhar
Era melhor assim
Deixar a tristeza marfim
Colorida de mar
sábado, fevereiro 11, 2012
Enquanto mergulhava, o salto se bordava em seu olhar
Tão rápido como fora o vento, aquele dono da vez
Não perdia o instante, no medo constante da dor
A sorte, o destino nada corriqueiro, sempre audaz
Rogo, vinha a vida do seu ventre, sulco farto, seu passado
Gota, vinha o mar, sedento por seu vôo, em explosão
Tudo em arremesso, sem futuro
Vida, vento, água, medo, e o mergulho em seu olhar
"Salino"
Tão rápido como fora o vento, aquele dono da vez
Não perdia o instante, no medo constante da dor
A sorte, o destino nada corriqueiro, sempre audaz
Rogo, vinha a vida do seu ventre, sulco farto, seu passado
Gota, vinha o mar, sedento por seu vôo, em explosão
Tudo em arremesso, sem futuro
Vida, vento, água, medo, e o mergulho em seu olhar
"Salino"
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Insinuada
Passo-lhe as mãos
Uma certa maneira de ser
O rasgo
Perfilado o poder
Esse dom de reter as delícias do olhar
Quem se resume ao prazer?
A isca do tempo é a falta de sol
O abraço, a carícia do vento
Teima o mais forte, o destino
Valha-me, Deus!
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